quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Mais um salto : Trampolim no Teste de Audiência !



O ano de 2010 começou com todo o gás para o Trampolim.


Recebemos a visita do Uwe Dresch, nosso engenheiro de som e produtor associado, que veio da Alemanha dar uma blitz na moçada para ver como estava o andamento da fase final da montagem.
A trilha sonora, sob a batuta de Lourimbau, Beto Barreto, Alexandre Lins e andre t. também continua a todo gás.

Para além disso, o filme foi recentemente convidado para participar do Teste de Audiência do Cinema Brasileiro, importante projeto com curadoria de Marcio Curi e Renato Barbieri, que visa tornar mais comum no Brasil a prática das exibições-teste, tão corriqueiras na Europa e EUA.

Portanto, no dia 09 de Fevereiro ''Trampolim do Forte'' será exibido pela primeira vez na sala escura, para o público de Curitiba e no dia 23 do mesmo mês, será a vez do público de Brasília conferir o filme.

Para participar do Teste de Audiência é pré-requisito que o filme ainda esteja aberto para modificações. Após a projeção, o público presente responde a questionários qualitativos e quantitativos que serão posteriormente tabulados pela equipe de estatística do Teste de Audiência. Também acontece um debate entre o público presente e o diretor, onde a temperatura do momento poderá ser medida na mesma hora.

Como resultado, duas semanas depois do ultimo teste, a produção leva pra casa um relatório completo das reações, críticas e sugestões do público das duas cidades, relatório este que se transformará em importante instrumento para o filme, tanto para reflexões a respeito dos rumos da montagem, como para apresentá-los a potenciais parceiros distribuidores.

"Como co-produtores , submetemos o filme Filhos de João ( de Henrique Dantas ) ao teste de audiência e o resultado de 97,5% de aprovação do público nos deu segurança quanto a aceitação do filme e abriu portas nas negociações de distribuição'' ressalta João Rodrigo Mattos, da DocDoma Filmes.

Agora é esperar para ver a reação do público !

domingo, 19 de julho de 2009

Cinema & Música. Trampolim do Forte & Lourimbau ( por Flávio Sacramento. Folha Correio )

1- Quando surgiu a idéia de produzir um filme que tem o retrato marcante da realidade da infância Baiana?

Na verdade Trampolim do Forte é um filme sobre a importância da infância. A situação das crianças é um assunto premente em todo o mundo, não só na Bahia. Portanto, o filme parte de um contexto regional para tratar de um assunto com um enorme apelo universal.

Nasci e cresci no centro da cidade e o Porto da Barra sempre foi a minha praia, espécie de playground tropical. Quando escrevi o roteiro estava vivendo fora do Brasil e foi uma espécie de catarse, pois o escrevi muito rapidamente. Acredito que pelo fato de estar tratando de um ambiente familiar pra mim.

Portanto, conjurei memórias da minha infância e adolescência, contextualizando-as com a situação limite que vivem aquelas crianças que saltam do Trampolim do Forte de Santa Maria. São crianças que vivem o drama do trabalho infantil e no pouco tempo que sobra para serem realmente crianças, vão se encontrar no Trampolim para o exercício da criatividade através dos saltos, da vivência do lúdico, da amizade e solidariedade.


2- Como você avalia os investimentos em cultura não só áudio – visual como também a musical na Bahia? É fácil conseguir incentivo do governo estadual e ou outras parcerias?
É inegável uma participação mais intensa do estado. Mas nada é fácil. A política dos editais está amadurecendo. O conceito de territórios de identidade cultural levado a cabo pelo atual governo é interessante e faz sentido.

Mas estes recursos não são suficientes ainda para atender as demandas nem dos produtores de filmes nem dos produtores de música. Sabemos que menos de 1% do orçamento é destinado a cultura e este ano ainda estamos passando por um forte período de contingenciamento.
Sendo assim, as outras parcerias são fundamentais para qualquer projeto. No caso do Trampolim, fizemos um arco de parcerias com instituiçoes ligadas a criança e adolescencia como Projeto Axé, CRIA, Escola Picolino, Fundacíon Avina e UNICEF. Na área de cinema em si, alguns dos nossos parceiros são a Globo Filmes, Quanta, UD Film ( Alemanha ), Bahia Film Commission e Irdeb.


3 - Por que a música de Lourimbau foi escolhida para ser a trilha do Filme?
Conheço Lourimbau há mais de dez anos. Sou fã incondicional do seu trabalho, pois é lindo e me emociona muito. Escrevi todo o roteiro ouvindo as suas canções e nada mais natural do que convidá-lo para assinar a sua primeira trilha sonora para longa-metragem. Acredito que a sua música trará mais emoção as nossas imagens e também acho que o filme pode divulgar o seu trabalho além fronteiras. Portanto é uma sinergia entre amigos, mas sobretudo uma sinergia entre imagens e sons.

4 - Que música especificamente será tocada?
Isto não está definido ainda. Todas as já existentes poderão ser utilizadas e algumas novas naturalmente estão sendo compostas exclusivamente para o filme, com participação de outros músicos baianos, como o Roberto Barreto ( dos Lampirônicos ), um estudioso e novo virtuoso da nossa guitarra baiana.

5- O que você acha deste novo estilo musical lançado por Mestre Lourimbau?
Lourimbau, além de compor incrivelmente bem, faz os seus instrumentos com as próprias mãos. Ou seja, além de cantor, compositor e percussionista, ele é um lutier do Berimbau. E o seu trabalho musical é único justamente por ele conseguir transcender o caráter monocórdico deste instrumento, fundindo-o com o jazz, com o pop, com a música contemporânea em geral.

6-Em entrevista um produtor relatou que o cinema na Bahia ainda não é muito valorizado você concorda com esta afirmação? Por quê?
Isto é subjetivo. Não é muito valorizado por quem ?
Nós, autores, produtores, iniciativa privada, instancias estaduais e municipais é que temos que acreditar no valor dos nossos projetos. É uma questão de princípio e atitude. O cinema é porta estandarte da identidade cultural de qualquer povo e deveria ser tratado em todo mundo como política cultural estratégica.
O valor para mim é mensurado pela dose de paixão, dedicação e profissionalismo que cada um dá para as coisas em que acredita.

terça-feira, 16 de junho de 2009

João Rodrigo fala para a Revista Lupa ( entrevista por Carlene Fontoura )

Quais as dificuldades encontradas para a produção e distribuição de audiovisuais na Bahia?

Não acho que as dificuldades encontradas para se produzir cinema na Bahia sejam muito diferentes das encontradas no resto do Brasil. O cinema é uma linguagem artística complexa e bastante cara e é feito em boa parte com dinheiro público, o que aumenta as responsabilidades de quem o produz.

As verbas dos editais públicos e privados certamente são importantes para alavancar os projetos, mas na grande maioria das vezes não são suficientes para finalizá-los. Deste modo subentende-se que, mesmo tendo um aporte estatal e federal, o caminho de captação através das leis de incentivo é quase incontornável para nós, produtores.

Temos que jogar com as regras que estão na mesa. E para isso é importante saber dimensionar bem os projetos e desenvolver soluções criativas sem por em risco a qualidade artística e técnica do produto, seja ele uma animação, um curta, um documentário ou um longa.

Quanto a distribuição, é o grande problema a ser resolvido na nossa atividade e isso não é novidade nenhuma pra ninguém. Pessoalmente acredito que para os filmes produzidos na Bahia é essencial um trabalho de network ainda mais intenso com o eixo sudeste, pois é lá que se encontram os centros de decisão neste assunto. Considero um erro pensar na distribuição apenas na fase final de produção e muitos aqui em Salvador ainda deixam isso pro último estágio. Batalho muito por este modus operandi aqui na DocDoma. Por exemplo, para mim não faz sentido algum trabalhar anos e anos em um projeto e lançá-lo num festival sem uma distribuição garantida, mesmo que discreta. Estamos preparando os nossos três primeiros longas e com certeza este raciocínio será posto em prática.


Sobre a atuação do Estado, os investimentos para o setor do audiovisual na Bahia tem sido suficientes para atender as demandas dos novos cineastas?

É inegável uma participação mais intensa do estado, apesar de todos os percalços de calendário que afetam a regularidade da produção. Testemunhamos uma coisa louvável que foram os longas do Edgard Navarro, Pola Ribeiro, José Araripe Jr, Lázaro Faria, Tuna Espinheira, Jorge Alfredo, Zé Umberto, Chico Liberato...enfim, uma geração que já deveria ter debutado neste formato bem antes, mas que por condicionantes políticas, só tiveram condições de se expressar na sua completude nos últimos anos.

Ora, está claro que os investimentos, apesar de mais regulares, não são suficientes ainda para atender as demandas nem dos antigos, quem dirá dos novos cineastas, que já não são poucos.

Mesmo assim, a classe apresenta-se mais organizada com a presença da ABCV ( Associação Baiana de Cinema e Video ) e com estâncias governamentais mais abertas ao diálogo, como a Secult, o Irdeb e a Bahia Film Comission, para citar alguns exemplos.

O que você considera como filme baiano?

Gosto de subverter um pouco esta discussão dizendo que o que temos que fazer é cinema brasileiro produzido na Bahia. No que temos que nos concentrar é em fazer um cinema que mesmo tendo um teor regional nas suas abordagens, tenha sobretudo um apelo universal, uma amplitude para dialogar em várias dimensões, com os mais diversos públicos. E este é um fator que influirá – e muito – na possibilidade de interesse na distribuição dos nossos filmes.

Como você analisa a atual produção de filmes na Bahia?

Interessante de se analisar. Pois sabemos o que foi feito e os erros e acertos destas experiências anteriores. Mas teremos aí uma nova fornada de filmes como Jardim das Folhas Sagradas, Estranhos, Pau Brasil, O Homem que não dormia, Filhos de João – O admirável mundo dos Novos Baianos, Cuíca de Santo Amaro – Ele, o Tal e Trampolim do Forte. São 07 novos longas metragens e diversos curtas em processo de produção. O atual momento é significativo e esperemos que nos traga mais acertos do que erros.

Quais as dificuldades encontradas para produzir o filme "Trampolim do Forte"?

Primeiramente, o fato de ser um longa B.O ( baixo orçamento ). Este edital do Minc, apesar de ser o mais acessível para diretores estreantes em longas de ficção – como é o meu caso – não nos permite dentro das suas próprias premissas, que captemos via Lei do Audiovisual ou Lei Rouanet. Ou seja, só nos resta a hipótese das leis de incentivos estaduais, municipais e via patrocínio privado direto, o que sabemos que na atual conjuntura econômica é algo muito difícil. Os fundos internacionais e soluções criativas como possíveis product placements também são possíveis numa conjuntura limitada como esta. Estamos tentando em todas estas frentes, mas o produzimos só com o R$ 1 milhão do B.O.

Rodamos o Trampolim com um elenco infanto-juvenil de não atores, preparado durante dois meses e meio por um dos maiores preparadores do Brasil, o Luiz Mario Vicente ( Cidade dos Homens, Querô, Terra Vermelha, entre outros ), rodamos na cidade, em pleno Porto da Barra lotado, 90% de exteriores, com cenas no mar, debaixo dágua, com uma excelente e numerosa equipe e grandes atores como o Luis Miranda, Marcélia Cartaxo, Zéu Britto, entre outros talentos daqui. Trouxemos o Uwe Dresch, um dos maiores técnicos de som da Europa, que se associou ao projeto. Ou seja, produzir isso tudo com 900 mil é um verdadeiro triunfo de planejamento. Mas sobretudo, reitero o fato de esse recurso, apesar de ser insuficiente, trata-se de dinheiro nosso, dinheiro público e é daí que tem que vir o maior comprometimento e a maior responsabilidade.

Acreditar em temáticas que exponham algum aspecto específico da cidade do Salvador faz com que o filme tenha uma melhor visibilidade para o público local, pelo fato das pessoas se identificarem com a história central?

Sem dúvida que sim, mas não podemos cair no erro de produzirmos coisas dessa magnitude e complexidade só para o nosso próprio umbigo. É importante que a obra tenha uma identificação com o seu lugar, com a sua cultura, com o seu povo, mas isso não deve constituir-se numa obrigação. Volto a reiterar que o que para mim é imprescindível é que o tema seja universal e possa interessar não só à Bahia, mas ao Brasil e sobretudo, ao mundo.

Qual o apoio específico da DocDoma na execução do filme "Trampolim do Forte"?

O apoio é total, visto que sou um dos sócios da empresa. Rodamos o filme com a nossa própria câmera e montaremos e o prepararemos para a finalização dentro da nossa própria estrutura, o que barateia um pouco os custos, logicamente. A DocDoma tem um formato interessante, que são seis caras apaixonados por cinema, comprometidos com a qualidade e o profissionalismo e que tem perfis diferentes. Temos montadores, finalizadores, roteiristas, diretores, mas todos somos, antes de tudo, produtores. E guerreiros. Pra se fazer cinema tem que ser guerreiro.

O filme será lançado quando ?

Numa perspectiva realista, “Trampolim do Forte” será lançado no primeiro semestre de 2010.